Comer bem não é comer mais! Ou melhor, depende…

Por À Roda da Alimentação

Muito , pouca fruta e legumes nem vê-los. Estes são os principais erros que cometemos à mesa. Andamos a comer demasiado do que faz mal e quase nada do que faz bem. É, por isso, que vos digo que comer bem não é comer mais, a menos que sejam ‘verdes’.

Os números dizem que as bolachas, salgados, pizzas, refrigerantes e bebidas alcoólicas representam quase um quarto do consumo alimentar dos portugueses. Parece pouco, mas não é, já que a maioria destas tentações nem sequer faz parte da Roda dos Alimentos.

No fundo, todos temos uma perdição. A minha são os salgados, e sei bem como é difícil resistir-lhes. Já os doces, não me seduzem nada. As minhas amigas ‘viciadas’ em chocolate têm alguma dificuldade em entender esta minha ‘esquisitice’. Mas saber que depois dos 40 custa a dobrar queimar as calorias ajuda a uma certa manutenção de disciplina.

Embora as exigências do ballet profissional me tenham ajudado a manter as regras alimentares desde pequena, o nascimento dos meus filhos foi fundamental para reforçar a importância que hoje dou às refeições. Cada vez tenho mais cuidado com o que como, sobretudo com o sal e com os fritos (e, assim, lá se vão os folhados até ao dia em que o rei faça anos).

Excesso de sal e de

Défice de fruta e hortícolas

Falta de diversidade no prato

Demasiadas horas em jejum

Se é daqueles que pede o saleiro ainda antes de provar a salada, fique a saber que, embora nos últimos tempos o açúcar seja o mau da fita, o sal ainda é o maior culpado de muitas das doenças que afetam as famílias, sobretudo os mais idosos.

As estatísticas sobre o consumo exagerado de sódio (sal) são bastante chocantes. Para ter uma ideia, andamos a ingerir o dobro do que devemos. Os especialistas recomendam uma dose diária inferior a 5 gramas (uma colher de café rasa de sal fino) e a média nacional está acima dos 7 gramas. Isto num país onde quase metade da população (40%) sofre de hipertensão arterial e mais de metade (57%) tem excesso de peso.

para reduzir o sal

Deixe de levar o saleiro à mesa

Aposte nas ervas aromáticas e nas especiarias

Leia os rótulos e opte pelo que têm menor teor de sal

E quer saber quais são as maiores fontes de sal da nossa alimentação? Alguns tipos de pão, os enchidos, os cereais e, pasme-se, a sopa. O problema não é a sopa em si, mas como a salgamos. Por isso, toca a deitar o sal na palma mão antes de o levar à panela, para ter a certeza que não há excessos.

Isto vai dar com certeza mais saúde ao prato, mas não chega. É que se, quanto ao sal, pecamos por exagero (o que já agora também fazemos com a carne e os laticínios), no que toca às hortaliças e fruta, pecamos por defeito. Mas também há solução. Basta cerca de três peças de fruta por dia e fazer dos legumes um acompanhamento sempre presente ao almoço e ao jantar (e porque não também ao lanche) e sente-se logo a diferença.

Fonte: Direção-Geral da Saúde Descodificar ajuda A Direção-Geral da Saúde criou um guia que ajuda a descodificar os rótulos e a perceber os valores de Gordura, Gordura Saturada, Açúcares e Sal que podemos encontrar nos alimentos (alto, médio ou baixo). Decore ou imprima e seja mais exigente nas suas compras. Como tenho vindo a perceber, sobretudo com a ajuda do Continente, para aprender a comer bem, não é preciso ser perito em culinária ou saber de cor a Roda dos Alimentos. É só nos lembrarmos de dar mais cor ao prato, baseando as refeições nos legumes, fruta e cereais, consumindo de forma moderada peixe e carne, e evitando o sal e o açúcar. No final, saímos todos a ganhar. Mais sabor, mais qualidade e mais saúde. O Continente encaminhou-me para algumas estatísticas da Direção-Geral da Saúde que indicam que os maus hábitos alimentares são mesmo o fator de risco com maior peso na perda de anos de vida saudável dos portugueses, visto que aumentam o risco de incidência de doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de cancro. Somos um povo que adora a cozinha (e por isso as temos grandes), que faz das refeições um ritual e que cada vez mais usa a gastronomia como isco turístico, só nos falta aprender a comer melhor. E este é o momento. Nunca se falou tanto em . Há hoje dietas para todos os gostos e feitios. Em algumas come-se muito, noutras pouco e outras há em que não se come nada. Entre uma moda e outra, os nutricionistas concordam que o que interessa é o equilíbrio e a diversidade. E uma das dietas que tão bem reúne estes dois fatores é a Mediterrânica. É fácil segui-la, não precisa de contar horas e calorias ou fazer grandes planos alimentares. Eu dou uma ajuda nesta página.

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O que é a ?

É um padrão alimentar completo e equilibrado que tem origem nos países banhados pelo Mar Mediterrâneo ou com ele relacionados. Classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade, este modelo que serve de referência à Direção-Geral da Saúde caracteriza-se por: consumo abundante de alimentos de origem vegetal (hortícolas, fruta, cereais pouco refinados, leguminosas, frutos secos e oleaginosos); consumo de produtos frescos regionais, sazonais; eleição do azeite como principal fonte de gordura; consumo moderado de laticínios e de carnes vermelhas; consumo frequente de pescado; e consumo baixo a moderado de vinho. Fonte: Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (DGS)

5 maiores fatores de risco para a saúde Hábitos alimentares errados Hipertensão arterial Índice de Massa Corporal Elevado Fumo de tabaco Consumo excessivo de álcool Menos sal, menos riscos

Autor

À Roda da Alimentação